Jair Bolsonaro no Roda Viva é atacado, comete erros mas parece ter amadurecido

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Os entrevistadores tentaram pressionar o candidato, mas recorreram a temas nos quais ele está treinado. Já na questão de proposta o candidato falou que não consegue pensar em nada, sem antes arrumar a casa, isso soa um pouco vago no meu ponto de vista, mas faz sentido.

 

Coube não a um jornalista, mas a um representante do Instituto Ayrton Senna, fazer as perguntas mais embaraçosas ao presidenciável Jair Bolsonaro durante o Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura. São diversas perguntas que por si só obrigam o candidato a mostrar suas intenções ou propostas.

Bolsonaro, o “mito”, não soube responder sobre seu programa para a educação, assim como escapou de falar sobre economia. Em um raro momento no qual foi convidado a expor sua visão a respeito da situação econômica do País, saiu-se com uma piada: “Paulo Guedes é meu posto Ipiranga”. Guedes, sócio de butiques financeiras no Rio de Janeiro, é apresentado como o ministro da Fazenda de um governo Bolsonaro. Sua principal proposta é uma privatização radical, da Petrobras ao Banco do Brasil.

Na maioria do tempo, a bancada tentou forçar o candidato a cair em contradição. Boa parte do programa foi dedicada a um debate sobre a ditadura, o discurso da violência e do “bandido bom, é bandido morto”, a interpretação do presidenciável a respeito da escravidão e outras polêmicas.

Bolsonaro agradece. Ao exibir mais uma vez um total descompromisso com a história e com os fatos, o deputado errou em dizer que a escravidão foi devido ações dos negros na África, negou a existência de um golpe militar em 1964 no Brasil e disse que 30% dos nascimentos de prematuro guarda relação com a falta de higiene bucal das mães.

Sobre a sugestão de “metralhar a Rocinha”, ideia efusivamente aplaudida durante um evento empresarial, insinuou que a declaração foi retirada do contexto e concluiu com uma frase de efeito, para delírio de seus fãs: “Se ele atirar, dê uma flor”.

 

Em 6 de fevereiro de 2017, Bolsonaro publicou vídeo em suas redes sociais negando a existência da greve, mas defendendo os policiais. “O que aconteceu é que alguns familiares bloquearam a saída de alguns batalhões da PM”, disse. No mesmo dia, a Justiça do ES considerou que havia uma “greve branca”, que era irregular. Mesmo assim, Bolsonaro pediu ao governo do estado que negociasse com os PMs. Atualmente, tramita no TJ-ES um processo contra participantes da manifestação.

Bolsonaro teria falado em “metralhar a Rocinha” em fevereiro, durante evento de um banco de investimentos em São Paulo. Os organizadores dizem que não há registros em vídeo ou áudio. A frase foi atribuída ao deputado pelo colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, no dia 11 de fevereiro, como “receita para resolver a guerra da Rocinha”. O texto foi atualizado com manifestação da assessoria de Bolsonaro, que não desmente o uso do verbo metralhar, mas afirma que ele se referia a um episódio ocorrido na favela em setembro de 2017, quando “marginais estavam claramente afastados da comunidade e, portanto, passíveis de sofrer efetiva ação policial para prisão”.

Em seu voto no julgamento do mensalão, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa citou a votação da Lei das Falências, em 2003, como um dos exemplos da compra de votos no Congresso. Barbosa disse que, naquele caso, líderes de PTB, PP, PL e MDB orientaram as bancadas a aprovarem o projeto, após recebimento de recursos em espécie do PT. “Somente o sr. Jair Bolsonaro votou contra”, disse. Mas, segundo o ex-ministro, “vários parlamentares do PT também desobedeceram à orientação da liderança do partido e do governo e votaram contra”.

Em 2015, o STF negou recurso de Ustra em processo no qual ele foi condenado pela tortura de Maria Amélia Teles. O trânsito em julgado foi decretado um mês e meio após a morte de Ustra. O coronel chefiou o DOI-Codi de 1970 a 1974 e, em 2008, a Justiça de São Paulo reconheceu que ele prendeu e torturou Maria Amélia na frente dos dois filhos dela. Ustra recorreu da decisão, mas, em 2012, o TJ-SP manteve a sentença, assim como o STJ.

A Lei das Eleições, aprovada em 2015, previa que, na votação eletrônica, o registro impresso de cada voto fosse “depositado, de forma automática e sem contato com o eleitor, em local previamente lacrado”. Ou seja, o eleitor não ficaria com o comprovante do voto. O STF derrubou a medida.

O Bolsonaro se referiu à cota para exercício da atividade parlamentar, usada para passagens, telefonia, manutenção de escritórios etc. O valor varia conforme o estado. No Rio, os deputados podem gastar até R$ 429.108 por ano. Em 2017, Bolsonaro usou R$ 222.949.

 

 

 

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